Atualidade
A Conferência sobre as Alterações Climáticas serviu uma vez mais para constatar o desafio de travar as alterações climáticas, tornando-o compatível com um desenvolvimento económico muito baseado nos combustíveis fósseis, e, portanto, nas emissões de gases poluentes.
Apesar das boas palavras e dos compromissos aceites por numerosos países na COP28 realizada no Dubai, a verdade é que o planeta se aproxima perigosamente do aquecimento que os cientistas consideram catastrófico para a vida na Terra. Este limite foi definido em 1,5 °C acima da temperatura média antes da época industrial; atualmente, esta diferença é de 1,2 °C. O que se pode fazer para reverter o processo ou, pelo menos, pará-lo? A continuidade do desenvolvimento económico é imperativa, pelo que é preciso tomar medidas centradas em evitar o desperdício da energia, diminuir a dependência dos combustíveis fósseis, impulsionar a utilização de fontes de energia renováveis e aumentar a eficiência. No que respeita a este último ponto, a Agência Internacional da Energia estima que, em 2030, a eficiência energética deve ser o dobro dos níveis atuais.
O resgate com a tecnologia
Perante um desafio tão grande como duplicar a eficiência energética, sem dúvida que a tecnologia deve desempenhar um papel fundamental. O auge da eletrificação põe em primeiro plano a eletrónica de potência, por ser o ramo da engenharia elétrica encarregado de manusear elevadas tensões e correntes, bem como de as fornecer para satisfazer todo o tipo de necessidades residenciais, comerciais e industriais. A eletrónica de potência é uma tecnologia essencial para que a utilização, a distribuição e a produção de energia elétrica sejam eficientes.
Por exemplo, pode contribuir de forma decisiva para reduzir numa grande proporção as perdas de energia durante os processos de conversão CC/CA. Nas fontes de alimentação, a melhoria da eficiência chegará com a diminuição do consumo em repouso ou em espera (stand-by) e da melhoria das técnicas de controlo digital. A gestão inteligente da alimentação também ajudará a otimizar o consumo.
Os motores representam cerca de 60 % do consumo de energia na indústria, pelo que qualquer avanço neste âmbito tem um impacto muito significativo. Em concreto, os acionamentos controlados eletronicamente podem cortar o consumo de 20 % a 30 %. Nos motores instalados nos compressores de sistemas de refrigeração, a combinação de eletrónica e motores CC de íman permanente (PMDC) trifásicos pode cortar 20 % que se somariam ao contributo dos termóstatos eletrónicos.
A iluminação também será mais eficiente, graças à eletrónica de potência, que a pode otimizar em 20 % ou mais; este valor pode ser aumentado com a adição de sensores de luz e de presença.
A ligação de fontes de energia renováveis como a eólica e a fotovoltaica à rede elétrica apenas é possível mediante a eletrónica de potência. Deste modo, os conversores eletrónicos fotovoltaicos e os inversores continuam a integrar tecnologias que aumentam a sua eficiência. Um bom exemplo disto é a utilização de carboneto de silício (SiC) nos semicondutores que integram os inversores fotovoltaicos.
O SiC oferece vantagens consideráveis em relação ao silício, que é o material utilizado tradicionalmente nos componentes eletrónicos: menos perdas de energia, maior velocidade de comutação, eficiência superior, menos dissipação de calor, tamanho mais reduzido, menor peso e maior estabilidade a elevada temperatura. Portanto, não é de estranhar que os fabricantes de referência no setor como a Salicru recorram ao SiC para os seus inversores solares.
A eletrónica de potência procura centrar uma boa parte dos seus esforços em reduzir as emissões de carbono até as eliminar por completo e minorar as alterações climáticas. Será preciso alocar investimentos significativos e contar com a colaboração de governos e empresas para que este objetivo prioritário seja uma realidade.















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